Policial investigado por morte de jovem em Manaus já foi preso por suspeita de sequestro e extorsão
24/04/2026
(Foto: Reprodução) Jovem morre durante abordagem da Polícia Militar em Manaus
O policial militar Belmiro Wellington Costa Xavier, investigado pela morte do jovem Carlos André de Almeida Cardoso, de 19 anos, já foi preso anteriormente por suspeita de envolvimento em extorsão mediante sequestro, em Manaus. A prisão ocorreu em 29 de dezembro de 2020, após mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça do Amazonas.
Carlos André foi atingido com um tiro no peito durante uma abordagem policial. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ele é cercado e agredido por agentes. O g1 tenta contato com a defesa do policial.
De acordo com documentos obtidos pelo g1, anteriormente Belmiro foi investigado pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). A ordem de prisão foi cumprida durante o plantão criminal do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
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Detalhes sobre o caso de extorsão não foram confirmados, pois o processo tramita sob segredo de Justiça. Não há informações públicas sobre a vítima, a data do crime ou a participação exata do policial.
O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) acompanhou o caso e se manifestou pelo envio do processo ao juízo competente para continuidade das investigações. Até a última atualização, não havia decisão definitiva sobre as acusações.
Ao g1, a Polícia Militar do Amazonas informou que o sargento está preso e recolhido no Núcleo Prisional da corporação, à disposição da Justiça, e que também adotou as medidas cabíveis, com a instauração de procedimentos para apuração rigorosa dos fatos recentes, por meio da Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD).
"Quanto ao processo de 2020, a PMAM esclarece que o militar responde a processo judicial anterior em liberdade, por determinação do Poder Judiciário, não havendo, até então, impedimento legal para o exercício de suas funções, conforme a legislação brasileira", concluiu a PM.
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Quem era o jovem morto após abordagem da Polícia Militar em Manaus
Belmiro Wellington Costa Xavier
Divulgação
O advogado da família, Alexandre Torres Júnior, se posicionou de forma crítica em relação à permanência de um servidor público acusado em processos judiciais no exercício da função policial militar. Para ele, a situação expõe falhas graves no sistema de filtragem e controle de agentes da segurança pública.
“É um absurdo um servidor público, ainda mais membro de um sistema de segurança pública, não ter sido devidamente filtrado e, mesmo diante de graves acusações em processo judicial, continuar nas ruas exercendo a função de policial militar. Não considero que ele seja idôneo e não considero que mereça exercer essa função”, afirmou o advogado
Policiais presos
Belmiro Wellington Costa Xavier e de Hudson Marcelo Vilela de Campos estão presos preventivamente após decreto da Justiça do Amazonas. O juiz Alcides Carvalho Vieira Filho relatou que as imagens indicam que a vítima não oferecia resistência no momento da abordagem policial.
O magistrado destacou ainda indícios de uso excessivo da força, além de possíveis inconsistências nas versões apresentadas inicialmente pelos agentes. Para a Justiça, esses fatores reforçam a necessidade da prisão preventiva para garantir a ordem pública e a instrução criminal.
O caso segue sob investigação.
Família diz que polícia alegou acidente, mas contesta versão
De acordo com familiares da vítima, o rapaz estava em uma motocicleta quando foi abordado por policiais militares por volta das 2h45. A mãe dele relatou que, ao chegar ao local, encontrou o filho caído no chão, com a moto ao lado. Segundo ela, os policiais inicialmente afirmaram que o jovem havia sofrido um acidente.
"Quando eu cheguei lá, eu fui desesperada pra cima do corpo. Falaram que eu não podia chegar perto, que ele tinha sofrido um acidente, colidido com a calçada e quebrado o pescoço. Até então, eu me conformei, fiquei lá esperando a perícia. Nisso que a perícia chegou, a primeira coisa que eles fizeram foi virar o corpo e apontar o tiro que ele tomou no peito", disse a mãe.
Segundo o laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML), a morte foi causada por ferimentos por projétil de arma de fogo. Também foi constatada lesão no pulmão.